28 dezembro, 2012

-| Desaba[fo]

Eu

Aqui pelo menos eu acho que posso falar sem medo de repressão..:

Estou d-e-s-m-o-t-i-v-a-d-o! Cansado de ter que trabalhar nas minhas folgas sem extras descentes, cansado de trabalhar num forno sem direito a um ar condicionado, cansado de ter que dar justificativa pelos erros dos outros, cansado de depender dos outros para executar o meu serviço, cansado de assistir (faço questão de não fazer parte) dessas guerrinhas corporativas entre superiores.. Cansado de ir p/ lá sabendo que vou ter isso.. sempre isso.. Salário é bom mas não é o único motivacional.. Se não fosse a competência, o carisma e a dedicação dos envolvidos externos eu já teria abandonado o barco por qualquer salário mínimo que me oferecessem.

Definitivamente.. Não quero estar mais lá. E não vou ficar só na vontade.. É meta até o fim do primeiro semestre do ano que vem: Procurar um trabalho administrativo que me remunere bem e que me trate como gente.

06 dezembro, 2012

-| Cacique

demologo



- Já faz três semanas que eu espero por isso. Queria todo dia, toda hora, mas a liberdade me impõe alguns limites, afinal não se pude ter tudo.

Pedro, ou "cacique" como seus amigos no Rio gostavam de chamá-lo, se tornou mendigo não faz três meses. De jovem empresário filho de família influente, cansou de trabalho, políticas públicas e conforto e foi em busca da liberdade.

Com a roupa de trabalho numa tarde de segunda feira jogou seus documentos pro alto, deu um beijo apertado na sua secretaria e saiu com os olhos latejando de tanto stress.
Não se importava com números, marcas ou caprichos que ele ou alguém poderia ter a respeito da vida. Queria andar e dançar.

Saber que oito horas do seu dia estavam fadadas a ouvir pessoas indiferentes e chefes que ignoravam sua individualidade só tornava o desanimo maior e acelerado.
Conseguia juntar R$ 60,00 por dia com trocados dos engravatados da grande avenida e se divertia com isso.

- Huahauh isso é o dobro do que ganha meu office boy!

Juntava dinheiro durante a semana e um dia antes das noitadas ia até algum hotel barato para trocar de roupas, por outras melhores compradas nos brechós da cidade e para alinhar seus cabelos e pelos.
Apesar da roupa simples, tinha estilo despojado e arrancava suspiros por sua bela aparência.

Transava com mulheres, homens e ambos quando surgia uma oportunidade, mas no final o auge da noite eram as ruas, o céu estrelado e as conversas que ouvia no caminho.

Essas conversas muito lhe rendiam. Está hoje escrevendo um livro num amontoado de papel sujo que carrega na mochila pelas ruas de São Paulo. Elas falam a respeito da humildade de um homem que buscava a liberdade, "Sua humildade era tanto que o teto baixava" citava um trecho.

Ele não sabe mas contraiu AIDS na sua última transa. Daqui três semanas irá morrer por não saber que é aidético e contrair uma simples gripe desse louco tempo de verão. Sua mochila irá ser desprezada no lixo pela equipe que irá recolher seu corpo e seu livro, que seria um dos melhores livros da última década, se perderá no lixão.

01 dezembro, 2012

-| Amor é para si

demologo

 

Ela chorava e quase se rasgava ao se separar de Milo. Depois de construir sua torre de babel em cima da areia, Deus, na sua misericórdia e bondade, veio derrubar. Tinha outros planos para ele que ele não conseguia enxergar. Estuprou verdades com a boca e deixou que a rua toda ouvisse.

Não de propósito, sentei próximo para descansar e ouvi:

-  Seu amor é ganancioso e egoísta como o amor dos outros. Como o amor dos que amam da boca pra fora, dos que amam pelo excesso de amor próprio mesmo não sustentando seu próprio peito nos teus pilares.

Seu amor é baixo e mesquinho a ponto de recitar juras, apenas para garantir conservada a presa, manter fresca carne, do corpo já vulnerável ao teu veneno.

Seu amor é sujo, sujeira dos carnavais que outrora te faziam se sentir alguém e hoje só relembram seu passado vazio e improdutivo.

Seu amor é tão ausente de Amor, que no meio do meu tango, teve a ousadia de aparecer com teu vinho barato, com tuas mãos calejadas não pelas flores que um dia me prometeu colher, mas pelos tombos que no meio da sua bebedeira e lascívia não se importou em festejar.

Eu não quero desse amor que mais tem de dor que de carinho, mais tem sofrimento que de alegrias. Não quero desse amor que finge ser ternura mas que na fome desmedida de corações, perturba os sonhos mais bonitos e as noites mais chuvosas.

E se você chama cultivar tudo isso de amor próprio saio eu distribuindo do meu e me ausento dele, por que prefiro encher os olhos do mundo com minhas pequenas alegrias do que explodir em mim a tristeza alheia apenas para forçar um brilho que não tenho.

 

Com a face vermelha, olhos ardendo e a alma mais leve da avenida, partiu em linha reta para a felicidade.

-/ Stromae - Racine Carrée (2013)

Fuçando na tag das músicas que eu ouço aqui no blog, me pegou de surpresa o fato de não ter trago, ainda a anos atrás , o album do Stromae  ...