29 julho, 2026

- Demologo: Adulto é você

Entrei na sala e sentei no sofá. Me vi de frente, mesmo sem espelho, sou criança novamente.Minha postura relaxou como quem não se importasse se a coluna vai ficar ruim depois. Me dou lugar de fala e deixo que fale o que quiser:

Iann criança: Eu não sei ficar em casa igual você não consegue hoje. Isso não é novo em você. Eu sou assim primeiro. Eu acordo com muita fome, tomo café atrasado só pra quem vai tirar a mesa. Se minha irmã está em casa, ai que eu tenho que correr mesmo para ir pra rua. Se não ela me tira a liberdade de ir pra mata brincar ou de fazer alguma coisa com o Diego e com o Nathan.

Eu adoro aquela mata do fim da rua. Você deve lembrar dela, eu vivo lá. Lembra do dia que eu vi uma arvore caída e na raiz ainda parte soterrada parte na grama, formou uma cabana natural?  Lembra da grama rasteira no meio da mata? Uma clareira que bate sol.. No meio de toda a sombra das árvores gigantes. Um lugar mágico e só meu.

Você lembra das vezes que pegou fogo e como a gente ficou triste? Muito fogo. Como pode uma coisa tão linda queimar.. Com o tempo a mata ficava verde o bonita de novo, lembra? Ainda acontece isso. A mata sempre vence.

Dias de chuva a água escorria na rua formando aquilo tudo que parecia um riacho de tão harmonioso. As pedras cheias de geodo ajudavam a formar cascatas. Na borda dua rua grama, algumas flores rasteiras e borboletas.

Eu notei que você nunca mais viu borboletas. EU vejo um monte e amo elas. Eu cuido delas e acompanho elas voando encima das flores. Aparecem varias de várias cores.  A amarelinha é a que mais aparece, mas já vi varias incríveis de vários tamanhos e cores. Vermelha, laranja, colorida. Depois que aprendi que aqueles lagartos que queimam viram borboleta também passei a achar eles bonitinhos. Só são muito gulosos.. Acabou com o coqueiro todo do quintal. Eu gostava daquele coqueiro gigante que nunca deu coco. Saudades dele. Mas você sabe de tudo isso, não?

Saudades também do pé de goiaba que ocupava o centro do quintal. Alguns tinham bichinho, mas eu comia com bichinho mesmo. A mãe disse que é bom porque tem proteína. Você me ensinou o que é proteína, porque eu faço isso sem saber o que é proteína. A mãe disse e eu acredito. Melhor fruta é o pé de amora na casa da Neide em frente. Aquele sim é um pezão. Delicia comer ela roxinha. Mancha tudo os dedos mas eu gosto.

Os guris brincam bastante na rua, mas eu não gosto de brincar com eles. Eles tem brincadeiras bestas. Odeio o dia que eles amarravam a bunda das cigarras pra ver elas girando presas na linha. Queria matar eles. Elas não fazem nada, não fizeram nada e eles matando elas. Eles que tinham que morrer. Eles gostam de coisas que eu não gosto. Eles gostam de pipa.. Eu não consigo soltar pipa.. Tentei pegar a linha da mãe pra soltar pipa, mas era barbante.. Barbante é pesado e a pipa não sobe.. Eu tentei.. Mas não consigo fazer isso de soltar pipa. Eu não consigo um monte de coisa que eles fazem. Futebol, guerrinha, estilingue, brigar, judiar de animais. Eu não gosto de ficar faxinando a casa com as gurias também. Já tentei brincar com Grazielle de boneca, mas é chato. Ela tem umas histórias chatas de casa, casamento, cozinhar.. Ela tem um Max Steel. Eu não tenho um Max Steel. Não vejo graça nele. Já tive cavaleiros do zodíaco, já tive Power Ranger, mas depois que vi o Chucky comecei a ter medo deles. Tive que passar a dormir de luz acesa pra evitar que eles me matassem. Decidi dar todos.. Eles não são importantes mesmo.

Importante é a rua, a mata e a jurema, minha bicicleta. Andar de bicicleta é legal. Subida cansa... Eu odeio subida, mas gosto do vento e da velocidade. É como voar! Eu quase morri algumas vezes por conta dos carros não me verem passando em alta velocidade.

A rua a caminho da escola também é legal. Só tem mata dos dois lados. Chão é batido, seco e cheio de poeira.. Mas também, tiraram a mata.. Ai fica seco mesmo.. Do lado tá tudo verdinho.. Da pra ver longe a mata.

Você ta querendo falar do buraco né? O buraco que eu senti varias vezes quando parei pra pensar em mim. A plantas mandavam energia pra ele, lembra? No coração.. E eu para as plantas.

Aquele dia da piscina a música estava me emocionando, eu estava me sentindo deslocado. EU não queria brincar de brincadeiras idiotas. A musica me emociona. Chorei varias vezes com varias músicas da igreja e fora da igreja. Você não tem mais músicas que te fazem chorar? Vi ontem você ouvindo música que fez chorar pelos outros. E as que você chora com você mesmo? Não tem? Você escolheu muitas vezes a música quando se sentia deslocado.

A gente tinha as que chorava em grupo na igreja, lembra? Por que mexia muito com a gente.

A Leyri chorava com músicas da radio 97fm. Amor sem fim o nome do programa. As músicas eram bonitas, mas não entendia porque ela chorava. Você hoje só chora assim né? Isso quando chora com música né? Não tem nada que te toca não? Eu sei que você sofre sempre que vê noticias de coisas ruins com a natureza.. Mas você quer falar do buraco..

O buraco sempre estava ai. Eu não sei  dele.. só fiquei ocupado pra não pensar nele. Vivi bastante coisa todo dia e toda hora, ai quando eu me apaixonei pela primeira vez o buraco sumiu e o medo de gostar de homens tomou conta. Eu me enchi de objetivos aqui e você sabe.

Vou ser o melhor desbravador do mundo.

Vou viajar o mundo todo com o clube.

Vou participar do coral, do grupo de jovens, da social no outro bairro.

Tem escola, tem desenho, tenho que correr pra ver o desenho se não eu perco.

Tenho que disputar a o controle remoto pra ver desenho se não a Leyri vai querer ver Malhação.

Eu tenho que correr pra viver as coisas que eu quero, se não eu não vivo. 

E quando eu paro? É raro eu parar né? Lembra quando eu fui com o Weslley passar o réveillon no meio da mata? Não conseguimos nem ouvir os fogos direito, mas foi lindo porque o céu tinha muita estrela. Dava pra ver o útero do céu de tão profundo que ia a vista com tanta estrela. Eu fiquei emocionado e triste ali. Se eu paro eu fico triste. Você não né? Você ta cansado e nem para. Quando para, você fica o que? Você não para também.

Eu parava pra chorar no carro do pai ouvindo musica alta. Você mais tarde chorou bastante no quarto ouvindo as musicas no computador. Mas ai já era carência né? Eu era o que? Carência?

Eu ficava pouco com a mãe mas tinha carinho. Não era falta de carinho o buraco. Ela amassava batatinha com carne moída e me dava na boca pra comer com ela. Adorava o gosto de batatinha com carne moída. Ela amassava porque eu adorava que amassava com farinha pra eu comer.. Um banquete. Em dia de frio eu via tv com ela perto fazendo croche. Ela adorava mexer nas plantas na lateral de casa. Sempre teve mão boa pra planta.

Eu comecei a ficar confuso quando percebi que gostava de homens. No começo foi bem confuso porque eu tive que entender o que era sexo sem ninguém me contar. Tive que observar os outros. Os bichos.. Mas não era sobre isso, era? Acho que olhando pra você aí a gente sempre foi muito deslocado de tudo né?

Você lembra dos nossos sonhos? O sonho em que você mata sua irmã mais nova com raiva, mas chora muito a perda dela.. Lembra do túnel mágico de areia? A gente fez quadrinhos dessa história. Tinha um pedestal lá onde ficava o poder. Eu voava e protegia essa torre.

Eu não sei como seu buraco começa Iann, mas a gente pode lembrar de um monte de coisas juntos se ajudar. Adulto é você. Eu não to preocupado com isso.  

28 julho, 2026

- Demologo: Pedestal

Sentei na minha sala e baixei o volume da tv. É ruim conversar competindo com o barulho na TV.  Convidei para sentar comigo e conversarmos: 

Zefa, minha tataravó que nasceu em 1870;

Fabio, um rapaz que me apaixonei em 2018;

Meu padrasto, que me criou até os 16 anos;


Zefa: Oi, fi. Bom falar com você. Faz tempo que não falo com ninguém. Cê ta bem? Nossa que casa bonita, fi. 

Iann: To bem tata. Bom falar com você também. Gostou da casinha? Peguei em 2024. Tô bem feliz com ela

Fabio sorrindo: Grande ein. Vai dar para fazer bastante coisa aqui.

Zefa olha pro lado tentando não deixar de sorrir, mas fechando o rosto um pouco. 

Iann: Você me ignorou quando te procurei pedindo ajuda, Fabio. Não precisa fazer o simpático não. Te libero já já. 

Padrasto: Oi oi. Noite. 

Iann: Boa noite pai. Bem. Boa noite pra todo mundo.. eu.. eu chamei vocês aqui pra me ajudarem a entender qual a relação que eu tenho mentalmente envolvendo todos vocês. Fabio e Pai, chamei vocês porque foi tema da minha última terapia na segunda-feira. Já você tata, eu trouxe só porque ando com hiper  foco em genealogia. Tem sido 90% dos meus pensamentos, quando não estou pensando em contas e na saúde.

Padrasto: Oxi. Terapia? Que que eu fiz?

Fabio me fita nos olhos fixamente esperando a resposta enquanto Zefa murmura: Eita, vou ficar só olhando só então.

Iann: Pai, você não fez nada. Eu acho que nada. É que na terapia a gente estava conversando sobre como um post do Fabio me impactou, como eu era antes de conhecer o Fabio e da Ayuasca e como eu cresci sem carinho físico.. meu carinho era financeiro.. Você do seu jeito não sorria pra mim, nem conversava ou brincava comigo, mas sempre me dava tudo que eu pedia no sentido financeiro.. Foi seu jeito de me dar carinho e aí acabou entrando aqui na roda uai.

Fabio: E eu estou aqui por conta de qual post?

Iann: Vi que você viajou faz pouco tempo para Europa. Está namorando.. ou talvez até mais sério.. ou talvez menos sério.. enfim.. não está mais casado.. e está com alguém novo..

Fabio: Mas eu não precisava te falar nada disso. 

Iann: Não mesmo.. Eu não queria nem te chamar aqui, mas é fato que mesmo eu tentando derrubar esse 'endeuzamento' que eu fiz de você, parece que não tive muito sucesso.. Vi o post e me incomodei.. não era pra eu me incomodar.. a gente não tem mais nada.. não por falta de vontade minha né.. mas porque a vida colocou a gente em locais diferentes .. 

Fabio: Não, a gente não está ficando porque eu não quero também né. Não é só sobre você.. Já falamos disso faz anos.

Iann: Sim sim.. forma de dizer.. tipo.. ahh esquece. Não to te culpando de nada não.. Você não fez nada que não deveria.. não poderia.. seguiu sua vida.. Sou eu o negócio! Eu coloquei você num lugar importante demais e deixei lá.. não mexi nisso.. e ai, por mais que eu esteja vivendo minha vida normalmente e você a sua, ver esse post trouxe luz para esse lugar que eu te coloquei e me doeu.

Fabio: Que lugar é esse?

Iann: De importância.. Tipo em um pedestal. Consegui explicar pro meu psicologo dizendo que você é um objeto de desejo e, na sua ausência, você é uma régua.. uma referência do que posso ter.

Fabio: Você é bonito.. você vai encontrar pessoas legais na sua vida e ter algo especial.

Iann: Não to caçando namoro. Nem com você nem com ninguém.

Fabio: Então por que te incomodou ver meu post?

Iann: Por que desejo você uai.. E não foi usado.. escolhido.. Nem tudo é sobre namoro.. já superei isso..

Fabio: Você queria ser usado por mim? Não entendi.

Iann: Sabendo que você não quer nada comigo e eu, também, não quero nada sério com você, sim.. Queria ter algo sexual e informal de novo sim com você.

Fabio: Supondo que a gente tivesse..?

Iann: Oq que tem?

Fabio: Se a gente tivesse isso, o que mudaria no post ou na minha relação?

Iann: Nada uai. 

Fabio me olha sem entender enquanto meu padrasto sorri de canto de boca.

Padrasto: E eu?

Iann: Você nada pai. Sabia que na infância o garoto gay acaba tendo o pai como o objeto de desejo para quando a gente crescer? Tipo, o filho hetero sai no mundo em busca da "mãe" e o filho gay, sai em busca do "pai". Você não foi nada carinhoso na minha infância, mas nunca me deixou faltar nada no sentido financeiro.. era seu jeito de dar carinho. Ai o Fabio se conectou comigo com um carinho físico que eu não tive de você e num momento em que eu buscava amor próprio.. Então ele ganhou uma porra de importância na minha vida.. Se você tivesse conversado mais comigo talvez teria me criado uma noção maior de amor prório pra evitar colocar num pedestal a primeira pessoa que me conectou sexualmente e me deu carinho ao mesmo tempo.

Padrasto: Eu fiz o melhor que eu podia. Trabalhava bastante, bebia bastante na época. Você sabe que passei a conversar mais por agora.. mais recente.. 

Fabio: Não entendi. Você me colocou no lugar do seu pai??

Iann: Pai, relaxa.. não tô te culpando de nada.. o que foi, foi. Sei que não fez por mal e era seu jeito. Sou muito grato por ter sido o pai que pode ser.. mas sem querer te culpar de nada, a falta e o excesso que a gente tem na infância mudam quem a gente é uai.. E não Fabio, eu não te coloquei no lugar do meu pai. Só estou explicando que nessa busca do "pai" o menino Iann encontrou carinho e sexo vindo de você.. Por isso eu acho que você ocupou um lugar especial em mim.

Zefa: Não é só tirar então? 

Iann: Rsrsr. Se fosse fácil Tata.. SE fosse fácil.. 

Fábio: Olha Iann, obrigado pelo carinho. Entendi que você me colocou num lugar especial dentro de você, mas isso não tem nada haver comigo. Isso foi uma escolha sua, uma decisão sua que eu não pedi. Aliás, a gente terminou faz tempo.. algo que eu nem deveria ter começado, lembra? Estava casado e ainda disse pra você que eu não estava me sentindo bem em viver uma relação paralela e terminamos. Você insistiu, me mandou música, livro.. eu pedi para parar.. para pararmos.

Iann: Vou colocar a música pra gente ouvir baixinho enquanto conversamos.. Ela é linda né?


Fabio: Sim, eu entendi a mensagem que mandou. Lembra? Eu escrevi um trecho quando confirmei que recebi seu livro e o bilhete.


É triste não estarmos juntos, mas desejo felicidade para você

Eu sei que dissemos para sempre, o amor nem sempre consegue

Às vezes, até as coisas boas se perdem ao longo do caminho

Abrimos o mesmo livro, encontramos uma página diferente

Porque honestamente, suas lealdades, inseguranças

E prioridades não são as mesmas

A harmonia, é a única coisa que posso salvar

Desejo-lhe felicidades, desejo-lhe felicidades (desejo-lhe felicitações, desejo-lhe felicidades)


Iann: É isso, me afastei pra salvar a harmonia.. Mas fomos para páginas diferentes. Eu ia dizer que não te culpo de nada, mas a verdade é que to culpando né? Culpando de não ficarmos mais ou até mesmo de ser cruel.

Fabio: Cruel?

Iann: Desculpa.. sim.. te chamei indiretamente de cruel. Tem um rapaz muito afim de mim e pensei em falar de você pra ele para "eu não ser cruel com ele como você foi comigo"

Fabio: Você acha que eu fui cruel com você?

Iann: Tive isso com esse post.. Mas agora conversando com você da até vergonha de pensar isso.. Você só está vivendo sua vida. E obrigado por lembrar da música. Toca em mim com força essa música.. escutei bastante ela.

Com uma risada de canto de boca, padrasto: Eu tenho música também?

Iann: Não. rsrs eu lembro que você tinha um CD do Pink Floyd e que gostava desse album por algum motivo que eu desconheço. Então guardei ele mentalmente pra ouvir em algum momento e até hoje não ouvi (The Dark Side of Moon).

Padrasto: Você tem é que arrumar marido, Iann.

Iann: Sai pai.

Padrasto: É sério. Ta cobrando os outros pra te darem algo. Vai você atrás uai. Se ta querendo carinho e sexo, por que não vai atrás de carinho e sexo? Ai não fica cobrando o rapaz ai que nem conversa direito nem ressucitando tataravó do tumulo pra pedir ajuda. 

Iann: Não quero casar pai. Quero carinho sim e quem não quer? E você tá certo. Não tenho direito de cobrar ninguém que nunca me prometeu nada por algo que eu queira ou precise. 

Padrasto: Então por que cobra? Por que fica triste? Terminou com o rapaz lá por que?

Iann: O Prado?

Padrasto: O de Campo Grande que fomos na casa e tudo lá.

Iann: Sim, o Prado. Foi super carinhoso sim pai.. só que tinha outro objetivo de vida.. estava me levando para um buraco financeiro ao mesmo tempo que não queria levar uma vida de estudos para melhorar a renda, essas coisas..

Zefa: E porque esse rapaz aqui na sala e não esse Prado, fi?

Iann: Não morei com o Fabio, Tata. Certamente numa relação séria com ele na época eu seria a parte frágil financeiramente falando. Sem ônus, Fabio acabou cabendo certinho na caixa do 'perfeito'.

Zefa: De perto todo mundo tem defeito Fi. 

Iann: Eu sei tata. Por que tá tudo mundo insistindo pra eu ter algo? Eu quero carinho, mas não quero relacionamento.. pelo menos não o convencional. 

Zefa: Não dá pra ter tudo não fi. Tem que escolher o que quer e ir em frente com isso. Você pode mudar quando quiser mudar, só não pode ser triste com suas escolhas.

Iann: Tá certo, tata. Não to triste com minhas escolhas. Seeee aparecer alguém muito mágico de repente role algo no futuro. Mas tô de boa com isso. Fiz errado em colocar o Fabio nesse pedestal todo. Já concordamos com isso. Ta na hora de libertar essa ideia louca de Fabio. Fabio, tenho muito carinho por você. Você é gato para um caralho. Se a gente se trombar num carnaval por ai vai ser uma delicia transar ou beijar você. Me desculpe te colocar nesse lugar de importância, mas ele não é seu. Acho que te coloquei ai para preencher um vazio que eu tinha na época enquanto aprendia a me amar.. e aí fui criando uma vida em volta e não mexi nisso. Fiz errado. Já tinha que ter tirado você dali faz tempo. mas esqueci.. lembrava eventualmente do seu sorriso, do que vivemos, sentia prazer na lembrança e deixava a memória ir embora pra voltar pra rotina. E assim foi esses anos todos.. mas você não tem culpa de nada disso. Eu que fiz errado. 

Zefa: Que buraco é esse fi?

Padrasto: Se eu não tenho culpa não tem haver comigo.

Iann: Uai, se tem relação alguma entre você e Fabio é carinho, pai. Cada um ao seu modo me deu carinho. Você faltou no carinho físico.. na presença.. já ele, aceitei que não fosse presente.. pq amor.. paixão.. sentimento.. vem da gente indepedente do que vem do outro pra gente. Você não foi presente, mas te coloquei no lugar de pai.. Te chamei pra essa sala pq fez parte da minha vida, mas mesmo eu não fazendo parte da sua.

Talvez com o Fabio seja igual nisso.. Ele faz parte da minha vida, mesmo eu não fazendo parte da dele. 

E nessa busca de amor próprio e construção de mim mesmo olhei pra minha vida e vi vocês. Mesmo vocês não escolhendo participar da minha vida, eu coloquei vocês lá. E olhando pra minha vida, vi vocês.

Zefa: E eu fi? Nunca nos vimos.

Iann: Sou eu olhando para meus antepassados para entender minha vida. Trazer sentido através das escolhas de vocês de cidade, relacionamentos. Fisicamente, minha cor, altura, onde eu nasci e até minhas questões financeiras hoje passam um pouco pelas escolhas de vocês. Então olhar para o passado e para vocês e entender e olhar pra minha vida também. 

Zefa: Cê ta colocando os outros na sua vida, e olhando pra sua vida e vendo a gente.. Ta certo isso, fi? 

Bonito você olhar pra minha história e saber de onde cê veio, mas eu também não tenho nada haver com sua vida hoje. Sua vida não é só quem passou nela nem de onde elas vieram. Sua vida é sua vida. Você não pode ficar preenchendo você com os outros que nem estavam lá de verdade não uai. Tem carinho pelo teu padrasto e pelo que ele foi é bonito, mas ele já foi. Tá la vivo vivendo a vida dele. Vai ficar olhando pra ele esperando o que mais? Ter referência é bonito. Você quer um homem festeiro de fim de semana, que gosta de festa e que sustenta um casa. Que sustenta o mundo em volta, trabalha com força e tem jeito de homi. É isso que ficou pra você.. o que vc aprendeu com esse homi. É lindo você ter vivido uma coisa boa com esse Fabio aí, mas se ele não tá mais na sua vida, é só uma memória igual qualquer outra memória sua. Porque se apegar a essa exatamente? Só porque te fez carinho?

Te faz carinho você mesmo. Já corre pra esse pedestal e coloca você lá. Você precisa olhar pra sua vida e não ficar olhando os outros nela. Olha o que elas deixaram e transforma em algo seu uai.

Seu pai foi e você pode ser esse homem todo que ele foi pra você. Quem sabe assim vocẽ atrai procê alguém igual vendo você agindo assim. 

O Fabio foi e você sabe agora o jeito que você gosta do seu sexo. Não precisa ser ele a te dar carinho. Quando ver a imagem dele te dando carinho, troca por você se dando carinho e traz isso pro mundo real uai.

Quando lembrar de como seu pai te cuidava, mesmo que do jeito dele, canaliza pra ver como você pode ajudar vocẽ e sua casa como ele fazia.

Se inspire nas pessoas, mas é na sua imagem. Essa carne é sua, rapaz. Ama ela pegando tudo de maravilhoso que passo em você e por você e liberta eles.

Iann: Você ta certa tata. Nunca quis culpar nem pesar ninguém não. Eu agradeço muito pai, pelo que fez e não fez. Tudo isso me ajudou a trazer aqui. E é comigo agora. Perdão pai, por te culpar pelo buraco que tem em mim que não tem nada haver com você.

Padrasto: Que negócio de buraco é esse?

Iann: Não sei. Acho que todo ser humano tem um. Eu lembro de conscientemente perceber que eu tinha um buraco gigante em mim quando eu era pequeno e conversava com minhas plantas e pedras. Acho que essa consciẽncia me fez ser uma criança triste em alguns momentos por saber de como, de alguma forma todos carregamos esse buraco e de como eu não sabia resolver ele. Me lembro entre meus 8 e 10 anos de idade de uma irma da igreja me vendo ouvir hinos e chorar em um passeio num clube de psicina e dizer: "Nossa, você carrega uma tristeza tão grande. Até chora ouvindo música. Se não estivesse aqui eu diria até que você iria virar Emo.. aquele povo que só chora"..Acho que fui muito solicito na igreja e depois nas relações justamente na tentativa de ocupar esse buraco. E ai foi passando o tempo e pessoas foram ocupando esse buraco. Pai, muitos outros e Fabio. Eu sempre me jogando e me abrindo e me entregando e vivendo o outro.. os outros.. na tentativa de ser preenchido .. ao inves de pegar a minha propria massinha e me preencher. Não sei como fazer isso. Será que tem como? Eu não tinha a resposta quando eu era criança e sofria muito por isso. Mas será que agora que sou adulto, consigo ajudar aquela criança que fui e não tinha a resposta?

Quando olhei em volta, já estava falando sozinho aqui na sala.. I wish well .. I wish well de fundo, como que se a vida estivesse me desejando boa sorte nos próximos passos.


Escutar Pink Floyd e me preparar para descansar. Quem sabe falar com o Iann de 8 anos depois e tentar saber mais de como via esse buraco ai na época. 

16 julho, 2026

- Josefa Rodrigues Andrade

 


Mais fácil do que escrever mil palavras, talvez seja começar com essa imagem ao lado para mapear onde está a Vovó Zefa (como é chamada na família) e minha árvore genealógica. 

Vem eu < Nascido de meu pai < Nascido de minha avó amélia < Nascida  de minha bisavó Julieta < nascida de minha Tataravó Josefa Rodrigues: Vovó Zefa.


A Zefa morreu em 1989 em Campo Grande, MS, com 115 anos, por isso tenho que o nascimento foi em 1871 aproximadamente. Seu local de nascimento ainda é misterioso, mas talvez eu tenha novidades até o começo de agosto/26. Por ora, sabemos que viveu sua infância no estado do Rio Grande do Sul e mais tarde veio para o que antes era chamado de Mato Grosso, ja casada com Nascimento de Andrade. 

A família lembra de ambos muito bonitos, cheirosos, assim como a sua filha, Julieta. Banho logo de manhã com direito a Cashmere Bouquet ou Leite de Rosas. A Zefa pitava cigarros e adorava usar pó de arroz, mesmo ainda cedo. Para dormir a Zefa usava minancora para manter sempre um bom cheiro. Ambos eram muito bonitos. O nascimento muito gentil, alto e adorava fumar fumo de corda.

Ambos eram benzedeiros.

Estes são os fatos. O que tenho a seguir são dois depoimentos orais, coletados pelo meu padrinho e historiador José Alexandre (Nenê) e pela minha tia paterna Rose Rodrigues (Rani). Ainda vou ouvir mais relatos de outros parentes próximos a Zefa para tentar consolidar essa história, até porque preciso disso muito bem definido para a partir daí, conseguir devolver algo que nas duas versões dos relatos, fica no escuro: Seu nascimento e origem. 


2025 - Relato do Historiador Nenê: 

A Zefa é filha de escrava e fruto de um estupro de seu Senhor. Nasceu antes da lei Áurea mas já dentro da Lei do Ventre Livre (se assim for, nasceu entre maio e dezembro de 1871). Rejeitada por ser filha de escrava e bastarda, sofreu da família do fazendeiro diversas tentativas de assassinato, dentre elas sendo acorrentada numa tentativa de afogá-la. Apesar disso, conseguiu sobreviver e mais tarde casou-se com Nascimento Andrade. Apesar de homem de posses, teve alguns comportamentos indevidos: Deu em cima de uma mulher comprometida. Descoberto e jurado de morte, fugiu com a Zefa  do Rio Grande do Sul, deixando suas terras para trás. Para garantir o sucesso da fuga, viajaram durante dois anos pelo Paraguai, até chegar no que na época era o Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul). Não há relatos aqui da cidade de origem, mas considerando a rota, infiro que moravam mais próximos da divisa do estado do Rio Grande do sul com argentina do que de outras regiões que permitissem a subida pelo litoral Gaúcho. 


13/07/2026 - Relato de Minha Tia Rani:

Conta a vó Julieta que Nascimento e Zefa eram irmãos adotivos, sendo o nascimento um índio branco alto e a Zefá uma india cabocla/morena. Ambos foram adotados por uma família gaúcha muito rica de sobrenome Trindade, na cidade de Porto Alegre/RS. Inclusive minha tia Rani afirma ter documentos que comprovam essa história retirados em um cartório próximo da Araras com o sobrenome correto deles (Praça das Araras, por isso infiro o Cartório 9º Ofício Zamperlini - Serviço Notarial e Registral). 

Para casarem, a Vó Zefa mudou de nome (pelo que ela lembra. A validar pela documentação). Eles fugiram do Rio Grande do Sul justamente por terem se apaixonado. Chegaram através da cidade de Ponta Porã, onde foi feita a mudança de nome.



20/07/2026 - Relato do Lorisvaldo:

Conta que ambos, tanto o Nascimento quanto a Zefa, vieram de São Joaquim/SC. Se encontraram, casaram e se mudaram. Não sabe ao certo se nasceram no local, mas se casaram por lá.

Foram em comitiva para o antigo Mato Grosso e de fato passaram por Ponta Porã onde o pai do Lorisvaldo nasceu. Foi criado pela Zefa. Era época de revolução, andavam mais escondidos e demoraram 1 ano e meio para chegar no Mato Grosso. 

Não tem conhecimento da juventude deles, mas eram pessoas leigas, boas. Zefa era analfabeta, parteira e benzedeira. "O anjo da região" de córrego seco.

Comentário meu: Esse relato tem muita força documental, pois de fato achei Josefa e Nascimento em São Joaquim, com registro de três filhos, dois deles já mortos, mas que viveram em Campo Grande/MS. Um dos filhos está registrado como "Julia" nos documentos, o que deixou a história apartada dos registros da minha bisavó "Julieta". Estou tentando entender se Julieta nasceu em São Joaquim e se tinha irmãos. Essas informações devem me ajudar a conectar os pontos. Achei curioso que aqui a viagem de quase 2 anos aparece também, mas citam revolução como motivo. 



Como estamos?

16/07/26 - Próximos passos: Com a documentação que minha tia irá me passar, consigo entender seus nomes de registro, para associar corretamente a árvore e filtrar a busca. Antes me concentrei na região de São Borja. Talvez em agosto, meu foco vire Porto Alegre. 

14 julho, 2026

-| Considerações da Minha Árvore Genealógica

Vamos do começo? Acho que antes de contar qualquer história, é importante algumas informações, para evitar confusões de quem lê e também para combinarmos a brincadeira certinho.

Está é minha base da árvore genealógica. Alias, hoje ela está gigante em alguns pontos e minuscula em alguns outros 'galhos':




Parte Materna:


Mãe de Minha Vó

Em algum momento entro nas histórias, mas resumidamente, a mãe de minha vó veio de uma família rica, de nome e de história. Para terem ideia neste 'galho' da árvore sou descendente e parente na mesma árvore que Juscelino Kubitschek, Hebe Camargo, muitos reis e rainhas europeus e logicamente muitos indios e portugueses que construiram o Brasil. Na história mais recente, políticos e grupos que ajudaram a fundar Campo Grande/MS. Em resumo: Não vejo graça.

São nomes e pessoas que por terem dinheiro e prestígio, tem registros históricos espalhados a rodo e muitas outras pessoas pavimentaram minha jornada de construção coletando e somando estes dados em sistemas de pesquisa. Então em algum momento vou sim, abrir e fuçar estes galhos para contar essas histórias. Elas também fazem quem sou, mesmo eu acreditando que fazem este trabalho em menor grau. Este são os Fonseca.

Pai da Minha Vó:

Aqui é um dos lugares onde estou preso no momento. Não vou discorrer agora, mas mesmo travado, este trecho tem desmistificado muito sobre o que me contaram na infância (diziam sermos descendentes de alemães.. a verdade é que mais provavel sermos descendentes de espanhoís). Mas enfim, estou no norte do Uruguai nos galhos de pesquisa, então volto com certeza para falar do lado Rangel.

Meu avô:

ELe por si só é muito mistério. Vou falar dele e talvez não muito, porque acredito ser necessário dar um pulo em Diamantina/MG para desvendar coisas sobre ele e seus pais. Mas quando assunto for Domingos , é daqui que estou falando. 


Parte Paterna:


Mãe do Meu Pai:

Certamente estou com hiperfoco aqui. Vale dizer que tenho Rodrigues tanto na parte paterna quanto materna do meu pai, mas quando o assunto é minha Vó Rodrigues, estou de algo muito complexo, que pode envolver escravos, indios, fuga.. É sobre um Rodrigues que talvez nem seja Rodrigues. Tenho muito interesse em devolver a honra dela e de sua origem que ainda não é clara. Não quero que ela fique na minha história como 'a escrava' ou como origem desconhecida.

Pai de Meu Pai:

Aqui também são Rodrigues, mas vindos do interior de São Paulo até os galhos que cheguei, na cidade de Amparo. Militares e acredito que agricultores. Sem muito mistério, mas também sem muita profundidade, este lado não me estigou a buscar por mais, então acredito que destes Rodrigues, ouvirão menos.. Posso estar errado.. vai que aparece algo interessante no futuro. 


---- Voltando..: 

Me estiga tirar do escuro essas pessoas que viveram tanto. Algumas sofreram, outras luturam, participaram de guerras e tiveram vidas modificadas por escolhas que muitas vezes nem eram suas.  Posso no caminho me apaixonar  por outros personagens reais que me fizeram como sou hoje, mas desde já quero homenagear essa busca há alguns nomes que também me construiram:


Nene (José - Meu padrinho). Historiador, começou uma busca por informações da família antes mesmo de mim. E tem me trago histórias incríveis. Ele está na minha árvore, mas não cheguei a conecta-lo ainda. Mas está no meu coração por ajudar nessa busca;

Lucio Martins Ferreira, que não ira aparecer na árvore por ser meu pai de criação, mas é o meu pai;

e Josefa Rodrigues, minha tataravó -  o primeiro nome do qual pretendo falar individualmente.


Os posts serão unicos. Então vou atualizando eles conforme for conseguindo informações novas. Haverá então por exemplo, apenas um post da Josefa Rodrigues, que vou alimentando com o tempo. Vou tentar adicionar algum sinal de data ou 'update' para ter uma linha histórica do que consegui e quando consegui.


Por último e não menos importante, vale reforçar algo que em algum momento já escrevi neste blog: Sou um homem gay, talvez o final de um fractal familiar... mas vou ser aquele que nesta gigante internet, deu vida aos seus ancestrais numa busca mágina e incessante para contar suas histórias. 




13 julho, 2026

-| Rodrigues

 

Tenho me debrussado com força para estudar minha árvore genealógica. Comecei este processo há anos, mas nos últimos meses tem se intensificado e tem me tomado a cabeça. 

Talvez como fruto disso e já beirando os 38 anos, decidi chamar meu pai biológico para ação: Não sou filho de chocadeiro, por isso o convidei para registrar sua paternidade em minha certidão de nascimento. Chega de "Não consta" em nome de pai. Por falta de um pai, tive dois: Meu Pai Lucio Martins de criação e meu pai biológico. 

Enfim, 09/07/26 entre 15h e 17h marca um registro histórico na minha vida! O momento em que passo a também ter o sobrenome Rodrigues. 

Acredito que voltarei embreve para falar de personagens que estou conhecendo através da minha árvore genealógica. Antepassados que tem me inspirado e me ajuda a construir quem sou. 

Nasce a TAG: Nome e Sobrenome aqui no blog, que se tudo der certo, vou tirar a poeira com novos posts! (Tomara que a vida de adulto não me impeça)

No Family Search vou ser só o ID GL91-PT5. As histórias que este código está me fazendo aprender, vão estar aqui. 

13 maio, 2025

-| ADRIFT

 Este post, diferente dos últimos e poucos posts que tenho feito, saiu de um Iann ferido por si mesmo. Naufrago de si mesmo, tentando achar palavras para verbalizar o que está sentindo e não consegue entender. É como sentir um gosto amargo na ponta da lingua sem saber do que é.. não conseguir explicar.

Tentei descrever algumas vezes para amigos e conhecidos como eu sendo uma 'máquina de lavar'.. Intacta por fora, mas por dentro um mix continuo e incontrolavel de coisas acontecendo simultaneamente. Esse post talvez seja como o barulho dessa máquina. Para alguns chatos e repetitivos, para outros viciante como quem fica preso na repetição de idas e vindas que a máquina faz até um barulho novo de despejo de água ou centrifugação.

Mas enfim, estou numa crise de meia idade? Ansiedade por desemprego, contas, desentendimento consigo mesmo, descoberta de TDAH, avesso a sentimentos, insonia, pesadelos, sonhos vividos, viagens de despedidas que viram jornadas espirituais, atividades de faculdade e cursos que como qualquer outra quando chega no final não consigo terminar?

Tudo isso junto? 

Sem respostas.. Eu não sei nem descrever o que está me pegando.. Pensei esses dias em retomar o blog no intuito de que alguém de uma geração futura da minha família ou amigos conseguissem saber quem eu fui sem o viés dos então pais e avós que me descreveram.  Mas não vai ser hoje. 

Estou bem bagunçado das ideias e dos sentimentos para começar a construir algo assim.. Acho que de certa forma esse é o prefácio do que está vindo. Isso! É importante que seja lá qual IA ou pessoa esteja lendo, entenda que no meio desse caos (descrição que me deram e assumi) podem não sair as palavras corretas, mas são as minhas palavras. Que as vezes serão contraditórias, mas farão sentido em algum momento.

Com auxilio dessa mesma inteligência artificial que um dia há de me julgar pela aleatoriedade que dificilmente ela processa, me resumi por aqui há 10 anos atrás:

Em 2015, o autor era alguém sensível, autêntico, em busca de autoconhecimento, com olhar critico sobre si e o mundo e disposto a enfrentar as próprias emoções para crescer pessoalmente. 

Gentil né? Achei gentil comigo mesmo. E mais, 10 anos aqui na frente.. Crescer pessoalmente pra quem? Pra que? Isso é clichê.. 'balela'. As pessoas mais evoluidas cresceram para dentro.. cresceram de alma! E não falo de religião, mas de compreensão sobre si no mundo. Cheguei a isso? Será que o que falei lá através é sobre 'crescer profissionalmente'? As profissionalmente bem sucedidas 'cresceram profissionalmente'.. Então IA errou ou realmente não era sobre isso.

Estou cansado dessa sensação de ter uma tigre (sim, femea, como me dito na Ayuhasca) adormecida dentro de mim que nada faz. É um peso, quase como peso morto. Uma vantagem pelo menos para o fato de estar desempregado: Consigo parar e olhar para meu CAOS. 

Eu me olho no olho e não sei se choro ou grito

Eu olho o mundo e não sei se me acho ou se me olho

Eu olho tudo e nada vem, nada fica

Eu olho em mim e não entendo

Eu olho o que não entendo e me perco


Visitar o passado vai ser interessante. Uma frase antiga que guardei de 2010 e reapareceu agora fazendo muito sentido:

Eu trouxe ordem a partir do caos.
Arthur Conan Doyle

31 dezembro, 2024

-/ Feliz Iann novo

Faz uns dias que estou ensaiando esse post. Aconteceu muita coisa em 2024, mas o gatilho do post era meu retorno a São Paulo. Acá estou novamente, no meu apartamento. 

Queria falar mais coisas, mas acho que não é um bom momento.. não sei se por ser réveillon e eu estar numa balada ou se porque não estou tão aberto assim a falar de tudo que aconteceu e em partes, segue acontecendo.

Feliz ano novo Iann! Esse Iann que começou este blog não existe mais.

Mas tem um Iann interessante aqui escrevendo de novo, pronto pra honrar seu nome e quebrar algumas das suas regras.

- Demologo: Adulto é você

Entrei na sala e sentei no sofá. Me vi de frente, mesmo sem espelho, sou criança novamente.Minha postura relaxou como quem n ão se importass...