Existe um acordo informal, feito em algum momento do mundo atual, no qual as pessoas decidiram não se importar. Alguns chamam de "mente minimalista", outros utilizam diferentes nomes, mas, no geral, trata-se de um comportamento tácito, combinado e implícito: o de não se importar, não fazer questão, desconsiderar os fatos ou não levar em consideração o que a ciência, os dados, os números e as tendências informam.
Poderiam, na inocência, chamar isso de pura ignorância, mas é fato que não é. Partindo do pressuposto de que não apenas pessoas simples, de pouco conhecimento ou leitura, mas também escritores, jornalistas, comunicadores da mídia em geral, artistas e filósofos se omitem .. ninguém discute, por exemplo, a transição civilizatória que estamos às vésperas de enfrentar. Um ou outro, quase como em uma thread ou trending, cita ou fala a respeito, mas a discussão morre ali. Morre como uma ideia, como um post, como um vídeo; não vira uma sequência, um plano estruturado, construído, combinado e acordado para resolver, mudar, minimizar ou enfraquecer o que está prestes a acontecer.
Em 2029, ao atingirmos a média de 1,5 °C de aumento na temperatura da Terra, teremos o início de uma sequência de problemas climáticos acelerados, em níveis que até então não experimentamos. De 2029 a 2050, essa temperatura tenderá a aumentar, trazendo uma sucessão de crises climáticas e suas consequências. Estima-se que, até 2050, a temperatura varie em até 4 °C .. 2,8 °C de forma oficial, mas alcançando até 4 °C em algumas regiões do país.
O efeito em cadeia envolve o abastecimento de água, alimento e energia, além do aumento de conflitos por recursos, de catástrofes e de mortes. Alguns falam em uma perda de 2 a 3 bilhões de seres humanos nesse período de 20 anos.
A ideia de "ser humano" talvez tenha morrido junto com esse acordo tácito de desinteresse. E aí me pergunto: quem combinou isso? Por que a manutenção dessa postura? Seriam as redes sociais uma espécie de entorpecente para fingir que está tudo bem? As pessoas realmente não sabem ou não têm consciência franca, honesta e clara do que estão vivendo ou fazendo consigo mesmas?
Ainda existe uma oportunidade de mudança, mas, ao mesmo tempo, é muito claro que não há um esforço real, comunitário, social e coletivo para que ela ocorra.
Então, o que resta? Só observar?



